Índice
IntroduçãoPasso 1 - Escolha as melhores condições físicas e materiais
Passo 2 - Pense no que espera do candidato
Passo 3 - Prepare os temas
Passo 4 - Recorra a técnicas para a condução da entrevista
Passo 5 - Adopte uma atitude adequada
Passo 6 - Conclua a entrevista
Passo 7 - Tome a decisão final
Introdução
A entrevista representa um momento fulcral no processo de recrutamento. Provavelmente trata-se da primeira vez que recrutador e candidato se encontram, podendo dar origem a uma colaboração com vantagens recíprocas. Este é um momento que gera tensões bilaterais, já que ambas as partes se encontram pressionadas. Por um lado o recrutador tem necessidade de encontrar o profissional certo e, por outro, o candidato submete-se a uma prova que poderá determinar ou não o seu futuro profissional.Para que ambos atinjam os objectivos é necessário que ambas as partes obtenham informações necessárias à tomada de decisão e esta deve decorrer num clima favorável.
Passo 1 - Escolha as melhores condições físicas e materiais
Uma entrevista assemelha-se a uma relação de negócios, onde a atenção ao pormenor deve ser tida em conta. Para que esta comunicação decorra sem interferências é necessário criar as várias condições:A entrevista deverá decorrer num espaço:
- suficientemente insonorizado, que garanta a privacidade;
- adequadamente iluminado, para permitir a observação de parte a parte;
- que disponha de uma mesa do tipo de reuniões, para que a relação seja o mais igualitária possível;
- onde não deverá existir telefone, ou este estar desligado;
- onde devem ser proscritas quaisquer interrupções;
- deve controlar o tempo necessário para cada entrevista. Uma hora é a média, mas esta é variável em função do ritmo da entrevista;
- não deve fazer esperar outros candidatos, para não conduzir a uma tensão indesejável.
Passo 2 - Pense no que espera do candidato
Embora se pretenda que a entrevista decorra com transparência, é natural que o candidato, sem faltar à verdade, omita os aspectos menos positivos e realce os factores que o valorizem ou facilitem a ocorrência de uma decisão que lhe seja favorável. A tendência natural pode levá-lo a:- aferir por cima o vencimento actual, o seu nível de responsabilidades ou os resultados alcançados, embora possam existir candidatos quer pela sua modéstia se subvalorizem ou omitam as suas realizações. Deverá estar atento a ambos os casos para que o valor real não se desvirtue;
- a que o stress provocado pela situação da entrevista origine atitudes que mascaram a sua personalidade, podendo desencadear bloqueios na comunicação, incontinência verbal ou, por exemplo, excessos de reserva ou de afirmação.
Passo 3 - Prepare os temas
Os temas da entrevista permitem determinar e seleccionar com maior facilidade o candidato ideal. Os mais utilizados oferecem informação sobre:- O percurso do candidato - a nível pessoal, escolar e profissional. Para entender o candidato, é fundamental conhecer o seu percurso a estes níveis, detectar incoerências, lacunas, os ritmos de progressão, aquilo que o exalta e aquilo de que não quer falar, as decisões e opções que foi tomando, os porquês e as consequências. Este é geralmente um tema que vem bem estudado pelo seu interlocutor, que procurará adaptar as suas perguntas à lição preparada podendo assim omitir informações pertinentes. Cabe ao entrevistador contrariar esta tendência, interrompendo-o com perguntas concretas, obrigando-o a precisar elementos que ele desejaria omitir, a quantificar dados, lembrar datas ou a centrar-se em factos;
- As funções desempenhadas - que nos indica as suas competências profissionais e informa sobre a sua personalidade. É um tema indispensável para obter a maior parte das informações sobre as competências profissionais do candidato e porque nos faculta uma multiplicidade de indícios sobre a sua personalidade. É uma ocasião oportuna para canalizar o candidato a relatar factos, através de perguntas abertas, geralmente iniciadas por que, quem, como, onde, quando. Perguntas como: "Descreva-me o seu dia de trabalho, esquematize-me o projecto que está a desenvolver, como resolveu o conflito da distribuição das férias?" permitem-lhe perceber se o candidato realmente fez o que diz;
- As empresas anteriores - Falar das empresas onde o candidato já trabalhou ou trabalha, das suas estruturas orgânicas, do seu posicionamento no organograma é um tema que permite clarificar as responsabilidades assumidas e o nível hierárquico em que se posicionou. Se for chefe de vendas e se intitular Director Comercial, que cargo vai colocar na caixa do organograma que superintende a sua actividade? Ao descrever as empresas, torna-se possível aferir o tipo de empresa com a qual o candidato mais se identifica e perceber como se integrará na empresa a que se candidata;
- As relações de e com a chefia - este tema permite entender como o candidato exercerá as funções de chefia ou como reagirá ao tipo de chefia que poderá encontrar. Aqui, o discurso deverá incidir nas próprias experiências como chefia ou chefiado, do que num discurso de registo abstracto/superficial. Como organizou determinada acção, viagem, evento, projecto, como coordenou, quais as dificuldades e como as ultrapassou, qual o impacto dos colegas na realização dessas tarefas;
- As motivações - este tema pretende descobrir que factores movem o interlocutor para se candidatar aquela empresa e aquele cargo. "Porque se candidatou a este emprego?", é uma pergunta inevitável. A partir desta, uma sequência de outras se seguem para precisar qual o projecto profissional do candidato e perceber se este se enquadra nos objectivos da função e do perfil pretendido. Há motivações socialmente correctas, que ficam bem a quem as veicula, e outras que são desagradáveis de assumir ou mesmo vergonhosas. Há que saber distinguir as motivações que o candidato assume e as que evita. Será fácil dizer que pretende atingir maior realização profissional e alargar as suas responsabilidades, mas pode ser difícil assumir que o seu objectivo é ganhar mais ou ter um horário mais reduzido;
- Reviver emoções - Quando o candidato revive os conteúdos emocionais estes tendem a fazê-lo experimentar as mesmas emoções, sendo por isso possível obter informação rica sobre a sua personalidade e prever reacções do interlocutor em determinadas circunstâncias;
- Os conteúdos abstractos - estes são o refúgio do candidato. Contar a sua história de forma sintetizada, pintando-a de cor-de-rosa, é fácil. O candidato poderá evitar falar de dados concretos. Por exemplo: "Tive uma infância feliz, estudei como os outros, procurei o meu primeiro emprego com x anos, desenvolvi n actividades". Este tipo de discurso é pouco comprometedor, competindo ao entrevistador direccioná-lo para factos, para um discurso concreto, como "qual a profissão dos pais (podendo determinar aqui a classe social), que notas teve? Foi sempre bom aluno? Quais as disciplinas mais fracas e o que fez para passar? O que aconteceu no primeiro emprego?" estas descrições e a forma como são descritas falam mais do candidato do que a apresentação por este feita inicialmente;
- Os pontos fortes e pontos fracos - como regra geral se tornou numa questão comum em entrevistas, o candidato poderá trazer as respostas prontas, previamente decoradas. Para o evitar, aborde o tema ao longo da entrevista, aproveite os relatos do candidato para saber quais os aspectos mais negativos e positivos que este evidencia. Perguntar quais os reparos e elogios que costuma ouvir de familiares e amigos, chefias e colegas ou, por exemplo, pedir-lhe para falar sobre os pontos fortes e fracos que tem em relação às tarefas a desempenhar pela função a que se candidata, são formas alternativas de obter respostas à mesma questão;
- As actividades extra profissionais - é um tema que poderá conter aspectos importantes sobre a personalidade do candidato. A quantidade e qualidade dos hobbies podem representar uma vida preenchida, uma pessoa com iniciativa, actividade, capacidade de desempenho, assim como o nível de responsabilidades que é capaz de assumir;
- Conhecer a empresa e a função - dar a conhecer os direitos, deveres, remuneração, contrapartidas e todos os pormenores essenciais ao seu eventual dia-a-dia na nova função, é essencial para que o candidato manifeste se está verdadeiramente interessado ou não pela vaga em aberto. As expressões, palavras e comportamento, permitirão ao entrevistador avaliar a possibilidade de o integrar ou não na empresa (caso tenha o perfil adequado e demonstre interesse, ou não) ou de negociar a sua integração (caso tenha o perfil adequado mas a oferta da empresa não responde às suas expectativas).
Passo 4 - Recorra a técnicas para a condução da entrevista
O objectivo da entrevista é determinar qual o candidato que melhor se posiciona para preencher a vaga em aberto na empresa, quer ao nível das competências profissionais (o saber e querer fazer) quer ao nível das características pessoais, por forma a que as suas motivações e maneira de ser se enquadrem da melhor forma nos objectivos e cultura da empresa. Assim, a entrevista deverá permitir prognosticar o comportamento profissional e social do candidato, através das suas palavras e atitudes.O entrevistador deverá assumir uma postura natural mas estudada para obter todas as informações necessárias sem bloquear o candidato e para isso sugere-se um conjunto de regras e de procedimentos que lhe permitam atingir os objectivos:
- Assumir uma atitude igualitária, anulando a possível relação dominador/dominado ou de interrogador/interrogado pois na realidade trata-se de uma relação entre dois quadros que se encontram para tratar de um interesse comum;
- Saber escutar, para lançar questões que permitam aprofundar a conversa e esclarecer dúvidas;
- Colocar as perguntas certas, uma de cada vez. Procure não reformular as perguntas se o interlocutor ficar tenso ou calado e não colocar perguntas que influenciem a resposta. Seja curioso e persista na mesma temática enquanto subsistirem pontos pouco claros. Sempre que o candidato utilizar chavões, termos técnicos da sua área de actividade, procure que ele os aprofunde, explique e relacione.
Passo 5 - Adopte uma atitude adequada
Desconfie de si próprio. O estatuto e poder que é naturalmente associado ao entrevistador, assim como as mensagens verbais ou corporais que transmite, são o maior emissor de interferências de comunicação e podem gerar comportamentos no candidato tão dispares como o mutismo, a tentativa de sedução ou a cumplicidade, mascarando assim a sua realidade.Passo 6 - Conclua a entrevista
Para concluir a entrevista, o entrevistador deverá fazer uma síntese de todos os aspectos importantes durante a interacção com o potencial candidato. Apresentar os pontos fortes, pontos fracos, aspectos positivos e lacunas para o perfil da função pretendido, e obter feed-back sobre os mesmos, permitirá que o candidato esclareça alguns pontos pouco claros ou coloque algumas questões. Seguidamente, o entrevistador poderá concluir que:- O candidato lhe interessa - pode dar a boa notícia ou aguardar por novos candidatos sem pronunciar o interesse que tem.
- Se não der a boa notícia, corre o risco de perder o candidato, pois quem procura emprego estará certamente envolvido em vários processos de selecção.
- Dando a boa notícia, transmita o calendário dos passos seguintes como a eventual realização de testes psicológicos, entrevista com o responsável directo ou a data em que perspectiva a entrada na empresa;
- Tem dúvidas sobre o candidato - se estiver numa fase inicial de selecção, onde ainda não o pode comparar com outros candidatos, dê-lhe uma data certa em que telefonará a transmitir a sua decisão;
- 0 candidato não é aceite - neste caso, transmita-lhe de imediato a sua decisão, para o interlocutor significa a hipótese de se empenhar noutra tentativa. Não deixe os seus candidatos sem resposta. Se a decisão de não recrutar o candidato for feita de forma rápida e correcta, este não ficará com uma má imagem da empresa.
Passo 7 - Tome a decisão final
Após a triagem feita, o entrevistador pode-se deparar com diversas situações. Encontrar um único candidato com o perfil adequado ou vários. Se encontrar só um, contacte-o de imediato para não o perder. Se forem vários, então procure alguém que traga valor acrescentado à equipa de trabalho (empresa), alguém que possa colmatar pelo menos algumas das lacunas existentes. Se a equipa carece de um profissional com competências técnicas, pode apostar em alguém mais experiente, se existir estagnação, procure optar por um colaborador com capacidade de iniciativa e de liderança, capaz de impulsionar a mudança. Em qualquer dos casos não só este candidato poderá resolver um problema que se esgote no presente, como poderá ter potencial para evoluir para funções mais exigentes.Bibliografia
- Cardoso, Adelino Alves; Recrutamento & Selecção de Pessoal; 1ª Edição; Lidel Edições Técnicas
- Superemprego; http://superemprego.sapo.pt/pt/5recomendacoes.htm
- Job-Interview.Net; www.job-interview.net
