03 novembro 2026
Apenas 8,6% das PMEs portuguesas estão a implementar inteligência artificial atualmente, o que corresponde a apenas uma em cada dez pequenas e médias empresas. No entanto, quase três vezes esse número – 27,8% das 400 empresas inquiridas no mês passado – afirmam ter planos de adotar IA nos próximos 12 meses.
Os resultados provêm de um novo estudo do grupo de consultoria FEP Junior, "Adoção de inteligência artificial nas PME em Portugal", desenvolvido para o órgão de comunicação social português MediaWeb. A pesquisa, publicada no final de maio, revela disparidades extremas na adoção de IA, mesmo quando as PMEs começam lentamente a migrar para esta tecnologia.
Atualmente, apenas 8,6% das PMEs portuguesas utilizam ativamente inteligência artificial nas suas operações, segundo o estudo da FEP Junior de maio de 2026. Em contraste com esta baixa taxa de adoção, 27,8% das 400 empresas inquiridas afirmam planear implementar IA no próximo ano.
Segundo detalhes específicos do levantamento, a FEP Junior selecionou empresas que atuam principalmente em setores onde a adoção de IA é baixa, mas os ganhos de produtividade seriam significativos caso a tecnologia fosse posteriormente integrada.
Quando as PMEs começam a utilizar IA, as suas expectativas quanto ao valor prático da tecnologia servem como indicador de onde o crescimento poderá ocorrer. Mais de um quinto das empresas inquiridas (22,5%) esperam que a IA tenha maior impacto nas vendas, tornando esta a área interna onde as empresas mais prevêem o impacto da tecnologia. Seguem-se finanças/faturação/orçamentação (11,7%) e produção/operações (cerca de 10%). Mais de um décimo das empresas mencionam marketing/redes sociais (4,5%) como área onde a IA poderá transformar significativamente as suas operações.
Bolsas significativas de interesse por IA entre PMEs são visíveis em setores específicos, liderados pelo Comércio e Retalho (18,9% das empresas inquiridas planeiam investir em IA nos próximos 12 meses). Construção (9%), Hotelaria (9%), Têxtil (8,1%) e Setor Vitivinícola (5,4%) completam o top cinco, todos com exposição de dois dígitos.
A hesitação das PMEs face à IA não é mistério. As conclusões da FEP Junior apontam para uma tríade de causas principais: conhecimento deficiente sobre os benefícios e aplicações da IA, desinformação e receios quanto ao investimento de capital necessário para começar. Outros obstáculos surgem na forma de preocupações com perdas de emprego, medo de que a IA prejudique a cultura empresarial, e a perceção de que a tecnologia é difícil de implementar.
Todos os estudos realizados em 2026 sobre IA nas PME portuguesas chegam à mesma conclusão: as empresas que já estão a implementar a tecnologia são em muito menor número do que aquelas que planeiam fazê-lo num futuro próximo. Inquéritos de 2025 já sublinhavam esta mesma tendência.
Um estudo do BEI publicado em fevereiro de 2025 revelou que 24% das empresas portuguesas utilizam sistematicamente IA generativa para melhorar eficiências – ainda bem abaixo da média europeia de 37%. Já uma investigação da empresa francesa Cegid, realizada em parceria com a empresa de estudos de mercado GfK, concluiu que 16% utilizavam IA diariamente.
Embora estas frações de crescimento projetado ainda sejam modestas, a mudança de mentalidade nas PMEs é um desenvolvimento que naturalmente será acompanhado de perto nos próximos meses.