28 outubro 2026
Portugal está lançando um fundo de 100 milhões de euros para ajudar pequenas e médias empresas (PMEs) a adotar tecnologias de inteligência artificial. O novo esquema de subsídios, parte da Agenda Nacional de Inteligência Artificial do país, foi concebido para impulsionar a integração da IA em toda a economia.
Anunciado em 30 de setembro de 2024, o "Linha IA para PMEs" tem um horizonte temporal de três anos. Oferece subsídios não reembolsáveis para cobrir 75% dos custos qualificáveis, até 300 mil euros por empresa. É necessário um investimento mínimo de 5.000 euros para se qualificar.
Os projetos elegíveis abrangem duas grandes categorias: ferramentas de IA para aumentar a produtividade e soluções de IA que aprimoram processos empresariais ou interações com clientes. As ferramentas para melhorar a produtividade podem incluir plataformas de IA em SaaS, assistentes pessoais virtuais, software de análise de documentos e sistemas de manutenção preditiva. A IA para negócios pode abranger chatbots, previsão de vendas, otimização de estoque e mais.
O apoio está limitado a projetos concluídos dentro de 24 meses a partir de uma data de início elegível entre 1 de janeiro de 2025 e 30 de junho de 2026. As empresas que receberem subsídios devem manter os equipamentos e softwares de IA por pelo menos um ano após a conclusão do projeto.
Os 100 milhões de euros representam uma fatia significativa dos 400 milhões que o governo se comprometeu a gastar para acelerar a adoção de IA até 2030. Enquanto o setor tecnológico pode se beneficiar, as pequenas empresas podem enfrentar desafios para acessar os fundos. Há várias etapas no processo de aprovação, que começa com uma candidatura online no sistema SIGA-BF.
"Queremos apoiar as empresas o máximo possível, mas precisamos garantir a devida supervisão e conformidade", explica José Manuel, um oficial da Agência Portuguesa de Inovação. "As obrigações de relatório para estes subsídios são mais rigorosas do que outros tipos de financiamento."
Há também preocupações práticas quanto aos custos laborais. O subsídio pode cobrir a contratação de especialistas em IA dedicados, desde que as novas funções se concentrem em tarefas de implementação técnica. Mas enquanto muitas PMEs nos setores criativos e de serviços profissionais precisam de IA avançada, algumas optam por talentos generalistas que podem ser esticados para atender essas necessidades. No entanto, o subsídio não cobre esse tipo de pessoal.
Assim como o Plano de Recuperação e Resiliência de Portugal, o fundo de IA promete transformação econômica através de investimentos com limites rigorosos em seu escopo. Os efeitos não serão uniformemente distribuídos, e as medidas mais rigorosas podem involuntariamente limitar a concorrência no mercado.
"Precisamos monitorar este fundo de perto para garantir que está realmente estimulando inovação e desenvolvimento econômico saudável, ou arriscamos estar apenas subsidiando algumas empresas líderes", diz José Felipe, analista da ISEG Lisbon School of Economics and Management.
Os formuladores de políticas portugueses já investiram de forma ousada no passado, com subsídios massivos para infraestrutura e mobilidade. Esses tiveram um efeito misto no ecossistema empreendedor, afirmam os céticos.